quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dois Anos e uma Salada de Assuntos


Em 26 de Janeiro de 2009, partimos do Brasil rumo à terra dos cangurus.
Depois de 36 horas chegamos em Perth, atordoados da viagem e com uma diferença de 11 horas de fuso.
Bem, no último dia 28 de Janeiro, completamos dois anos de nossa chegada na Austrália.

Nestes dois anos aprendemos muitas coisas e vimos também muitas coisas novas, conhecemos novos lugares e pessoas.

Acho que podemos dizer que fomos bem sucedidos em nossa empreitada. Hoje estamos bem adaptados à nova vida e com muitos planos ainda pela frente.

Mas os dois anos marcam também uma nova fase em nosso relacionamento com a Austrália.

Quando entramos com o pedido do visto, solicitamos o "patrocínio" do estado de Western Austrália. Isto tornava o processo um pouco mais fácil, mas em contra-partida exigia de nós um acordo de morar e trabalhar os primeiros 2 anos em WA.
Com a vida ajeitada por aqui, só mesmo se surgir uma oportunidade muito melhor em outro lugar, mas pelo menos agora estamos livres para morar em qualquer lugar no país.
Também a partir de agora, caso a gente perca o emprego temos direito a um benefício do governo, tipo o seguro desemprego no Brasil.

Vai ficar ainda melhor dentro de mais dois anos, quando poderemos solicitar a cidadania e então termos direito a voto e possibilidade de ter passaporte australiano.


Australia Day
Coincidências a parte, no dia 26 de Janeiro é comemorado o Australia Day, o mesmo dia em que fazemos aniversário da nossa saída do Brasil.

Já virando "Ozzies" de carteirinha, fomos novamente assistir ao show de fogos a beira do Swan River.
Lá nos encontramos com amigos e colegas do trabalho da Carla.

No ano passado havia a proibição total de bebidas alcoólicas no evento, o que levantou muitas reclamações de pessoas que queriam levar algo para brindar o dia. Dá prá entender um pouco a medida pois tem alguns elementos que enchem a cara e vão para o evento arrumar confusão.
Neste ano, tentando agradar gregos e troianos, foram delimitadas duas áreas onde era possível consumir bebida alcoólica, com regras obviamente. Cada pessoa podia levar uma garrafa de vinho ou um pack de 6 cervejas, para serem consumidos somente entre as 18:30 e 20:30.
Segundo a polícia, que estava em grande número no evento, este foi o ano com menos incidentes registrados nos 26 anos do Perth Skyworks.

O evento em si é realmente um show. Durante a tarde tem apresentações aéreas e as oito da noite iniciam os fogos, sincronizados com música transmitida por uma rádio FM, com duração de meia hora.

Montei um vídeo (clique aqui) para dar uma idéia de como é o evento.


Aniversário
Ainda comemorando o aniversário de nossa chegada, no sábado fomos almoçar num lugar muito bacana com nossos amigos Nara e Antônio.
O restaurante fica em Two Rocks, local a cerca de 70 km ao norte de Perth, região de casas de pescadores ou pessoal aposentado. Um paraíso de tranquilidade.

Depois do almoço ainda passeamos um pouco pelo local e depois rumamos sul, pois o tempo estava fechando e havia possibilidade de tempestades.

Chegamos de volta em nosso bairro no meio da tarde e ainda paramos para o tradicional café no Döme.


O tempo fechando e os farofeiros começaram a debandar da praia...



Enchentes e Ciclones
Na quinta-feira da passada começaram a divulgar na TV e jornais da cidade um alerta de ciclone para a região em que moramos.
A previsão com tres dias de antecedência era de que o ciclone Bianca atingiria a região metropolitana de Perth no domingo pela manhã.

O ciclone de categoria 3 estava ainda em alto mar, perdendo força mas ainda com potencial de atingir a costa do estado como categoria 2.
A medida que o tempo foi passando as informações chegavam com mais frequência e o ciclone foi perdendo força.

Apesar da possibilidade de sobrarem alguns ventos fortes, os órgãos de defesa civil já estavam agindo, distribuindo folhetos com informações de como se preparar para o evento.
No sábado felizmente o alerta de ciclone já havia sido cancelado e somente uma pequena região sofreu com alguns ventos fortes e isolados, com algumas poucas casas destelhadas e alta na maré que esculhambou um pouco as praias da região, mas sem nenhuma vítima.

Também acho que todos devem ter acompanhado pela TV as enchentes que ocorreram no estado de Queensland há algumas semanas.
Foram vários dias de chuvas torrenciais, que inundaram uma grande área do estado, próximo à região metropolitana. Até o centro da capital Brisbane ficou inundado.
Vinte pessoas foram vítimas fatais do desastre e o estrago foi imenso em termos econômicos.

O que me impressionou muito foi como a comunidade se mobiliza em momentos como este.

Depois que as chuvas pararam, um batalhão de voluntários invadiu as regiões afetadas para ajudar com os trabalhos de limpeza e recuperação.

Os órgãos de defesa civil coordenam as atividades e distribuem panfletos informativos de como se cadastrar como voluntário e todas as instruções necessárias para executar o trabalho, o que levar, o que vestir, quais os cuidados a serem tomados, etc.
Muita gente já é pré-cadastrada como voluntário, enquanto outros se apresentam na hora.

Além disso, chama a atenção o número de atividades por todo o país para arrecadar fundos de auxílio às áreas atingidas.
Aparece de tudo, contas em bancos para depositar donativos, opção de desconto em folha de pagamento (com direito de descontar no imposto), rifas, jantares beneficientes, pessoas coletando donativos nas ruas e até crianças vendendo limonada para juntar recursos.
Aqui na empresa vai rolar um BBQ na sexta-feira para angariar fundos também.

Tudo isto demonstra o elevado espírito de cidadania e união do povo.

Num enorme revés do destino, Queensland está para ser atingida novamente (provavelmente enquanto escrevo este texto).
Desta vez mais ao norte do estado, pelo ciclone Yasi, de categoria 5 e com possibilidade de ventos perto de 300Km/h.

Desde a semana passada já estão sendo divulgadas informações e feitos os preparativos para tentar minimizar o impacto dos ventos e fortes chuvas previstas. Cidades na rota do ciclone estão sendo evacuadas e a defesa civil preparada para agir.

À todo momento, no site do bureau de meteorologia e pela mídia, mais informações são divulgadas e com maior precisão de qual será a rota do ciclone e do impacto que vai causar.

Agentes especializados da defesa civil de diversos estados já estão se deslocando para Queensland a fim de ajudar nas atividades de recuperação e resgate a possíveis vítimas.

Até onde lembro, nunca vi nada parecido com isto em termos de informação antecipada e prevenção para catástrofes no Brasil.

Talvez por isto infelizmente, é que num desastre desta magnitude, aqui morrem 20 e no Brasil morrem 800...


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Em Sydney

Na semana passada conseguimos largar a vida de escravos e fomos até Sydney, do outro lado do país, para passar alguns dias de folga.

Nosso objetivo principal era visitar a Cintia, prima da Carla, e também conhecer um pouco da "capital" da Austrália.
Brincadeiras a parte, Sydney está para a Austrália assim como o Rio de Janeiro está para o Brasil. É a cidade mais conhecida e muita gente acha que é a capital do país.
Prá quem ainda não sabe, a capital é Canberra (eles pronuciam algo como Câmbra) e tal como Brasília não é muito conhecida e também fica no meio do nada...
Mas voltando a Sydney, são 4 horas de viagem, sem escalas. Fomos pela Qantas, principal companhia aérea daqui, num vôo bem tranquilo e com muito conforto. O único senão ficou por conta do ar condicionado gelado que deixou a Carla gripada.

Chegando em Sydney fomos pegar o carro que havíamos reservado. Era para ser um Hyundai Getz (tipo um Gol) mas eles não tinham disponível a acabei levando um i30 (na faixa de um Focus) pelo mesmo preço.

Chave na mão, malas no carro, todos a postos e GPS (...não saia de casa sem ele...) com o endereço da Cíntia.

Prá quem mora em Perth, logo de cara se nota que a cidade é maior, com mais carros e mais movimento. As ruas são mais apertadas, principalmente na região central. Mas nem por isso o trânsito é pior, pelo contrário é bem tranquilo.

Antes de chegarmos ao nosso destino, passamos num KFC para almoçar, pois a comida do avião não chegou para matar a fome dos nossos dois "monstrinhos".
Também nesta época do ano há uma diferença de 3 horas no fuso horário.

No meio da tarde chegamos na casa da "prima" e foi muito legal revê-la e conhecer o restante da família, que até então só conhecíamos por fotos.
A Cíntia e o Ed já moram aqui na Austrália a cerca de 14 anos e os dois filhos, o Kiron e a Gaia, nasceram aqui mesmo.
Como eles adoram esportes e principalmente surf, moram em Freshwater a uma quadra e meia do mar.

Interessante notar a quantidade de brasileiros morando em Sydney, mais especificamente nesta região.
Não dava prá sair na rua falando besteira em português como a gente faz aqui em Perth rsrsrs

O primeiro dia serviu para botar um pouco da conversa em dia e na sexta-feira fomos com a gurizada conhecer o famoso Opera House e a Harbour Bridge. No embalo conhecemos um pouco do Jardim Botânico e acabamos almoçando no McDonalds conforme combinado previamente com a Gaia, depois no meio da tarde voltamos prá casa.
A noite, reunimos com uma turma de amigos, incluindo nosso amigo montenegrino Lúcio Mottin, num restaurante brasileiro.
Foi estranho e ao mesmo tempo bacana estar num lugar com um monte de gente falando português, incluindo as garçonetes.

No sabadão a Cíntia e o Ed fizeram o papel de guias turísticos e foram nos mostrar as praias ao norte de Sydney. Nosso itinerário acabou em Palm Beach onde almoçamos um tradicional fish and chips e depois fomos para a praia para umas aulas particulares de surf com os especialistas no assunto. (imagens inéditas no vídeo)

Na noite de sábado o Ed se superou. Fez um churrasco de espeto, assado na brasa, com direito a picanha. A Cíntia prá não ficar para trás providenciou uma autêntica caipirinha.
Mordomia total...

No domingo já estávamos no clima de fim de festa e não fizemos nada além de bater papo, o que aliás foi muito bom. Os guris ainda deram uma chegada na praia para tentar pegar umas ondas.

No final da tarde arrumamos as trouxas e rumamos ao aeroporto.
Mais 4 horas e estávamos em Perth.

Foram só quatro dias mas que valeram a pena para passear um pouco, quebrar a rotina, mas principalmente para passar um tempinho com os "parentes" lá do outro lado do país.



Vídeo: versão longa 10min (prá quem tiver paciência)